Inimiga de tua própria sombra.
Arrasta de ti mesma as tuas ilusões.
Martiriza-se em prol de que?
Parece masoquista amante da dor.
Do reflexo de seu próprio rosto ama cada célula, cada ruga.
È a vaidade que queima e arde em teus olhos de Narciso.
Passa os dias a observar a própria face, os cabelos, as mãos.
Pra que?
Logo a velhice vem.
E arrastará consigo tudo que a de belo em você.
Digo fisicamente é claro.
O tempo é cruel e adora desfigurar a beleza.
Será que já devotou amor a outro alguém que não seja a você mesma?
Será que percebestes que a luz da lua tem mais brilho que a dos seus olhos?
Será que já notaste que o mundo é quem gira em torno de si e não em torno de ti?
Será que já observastes que quem queima é o sol e a ardência de teus desejos é minúscula?
Dela somente o perfume.
Dela somente a vida desregulada.
Dela somente as noites em que fala dormindo e responde como se estivesse acordada.
Dela somente as noites de sexo que se fingia amor.
Dela somente a busca pela felicidade, nos guetos tristes de sua própria mente.
Dela somente o imponderável, o desprezível, o inacreditável, o inconsciente.
E eu que estou sem razão.
Eu o incrédulo, o pessimista, o egoísta, o carente, o chato.
Aquele que te acordava com amor em forma de café da manhã.
Aquele que se fingiu de bobo e em seguida tornou-se bobo.
Aquele que não viu teu lado de menina.
Aquele que acreditou que aquele corpo de mulher era o que valia.
Eu o que tinha face dupla, personalidade dupla, vida dupla.
Eu que escutei cada lamuria, colhi cada lagrima, amei sem cessar.
Eu amigo dos meus próprios erros.
Cabeça de vento, cabeça dura, cabeça vazia.
Eu menino sempre na candura. Sempre na candura.
Cresça! Aprenda! Conquiste! Viva!
Essa como toda história tem dois lados.
Qual o lado certo?
O que há de errado?Rafael Antunes Lima

bem a sua cara mesmo o texto, adorei
ResponderExcluirbeijus na alma
todos os textos são meus
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